quinta-feira, 7 de abril de 2011

Obrigado, "Fenómêno"

Arte by Gonza Rodriguez

Naquele jogo tenebroso de ontem, pouca coisa se salvou. Lauro fez uma partida muita acima de sua média. Andrezinho entrou bem, como bom jogador de segundo tempo que é. E Guina foi o Guina de sempre. Com menos de dois minutos de jogo, ele já havia salvo um gol certo, num chute de dentro d'área. Enquanto todo time (zaga incluída) observava o chicano armando o chute, o Cholo Loco se atirou com a vontade de um faminto. E salvou o Inter, mais uma vez.

200 jogos e a única coisa que tenho pra dizer é OBRIGADO. Podem dizer que ele quer sair, que força aumento de salário, etc. Mas nunca vi esse cara tirando o pé, correndo menos, não deixando tudo em campo. E pode incluir no pacote jogar com um BURACO no joelho, poucos dias depois de fazer uma artroscopia. Uma ilha de vontade e entrega neste oceano de futebol de plástico e sem alma dos dias atuais.

Para fins de arquivo, ficha do jogo de ontem:

Jaguares 1 x o Inter
Gol de HULK, e não aquele do Porto!
Em 5 jogos na Libertadores, o Inter tem 10 pontos
3 vitórias, um empate e uma derrota.
Roth está fazendo hora extra...


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Febre de Bola, de Nick Hornby


Tudo que tinha para dizer de Lajeadense 1 x 1 Inter está em www.twitter.com/grenalzito

Um assunto diferente, para variar...

Um ex-amigo tinha uma prática incomum, mas que eu achava interessante: comprar um livro e não ler. Deixar o objeto na estante, até que tu tenhas o ESTOFO necessário para compreender seu conteúdo. É o que eu faço com os livros do Nick Hornby. Não pela dificuldade do conteúdo, ou por não ser MADURO o suficiente para compreender o que está sendo dito. Faço por uma outra razão qualquer, que me escapa no momento.

Finalmente li Febre de Bola (Fever Pitch, de Nick Hornby, 1992). E é muito mais foda do que eu esperava. Agora ele voltará pra estante, e será relido daqui uns 5 anos. Fique com alguns trechos da obra:

“Perto do final do jogo fui me retesando à espera da tristeza que eu sabia que me engolfaria como acontecera depois da partida contra o Swindon. Eu tinha 15 anos, e as lágrimas já não eram uma alternativa válida como haviam sido em 1969; quando soou o apito final , lembro que meus joelhos cederam levemente. Não estava triste pelo time nem pelos outros torcedores, mas por mim mesmo, embora hoje em dia perceba que toda tristeza futebolística assume essa forma. Quando o nosso time perde em Wembley, pensamos nos colegas de trabalho e de escola que teremos de encarar na manhã de segunda-feira, e no delírio que acaba de nos ser negado; nessa hora parece inconcebível que nos permitamos um dia voltar a ficar tão vulneráveis. Eu sentia que não tinha coragem para ser torcedor de futebol. Como eu podia sequer pensar em passar por aquilo novamente?”. (Página 65)

“O jeito com que nossos times jogam é irrelevante para a maioria de nós, da mesma forma que ganhar taças e campeonatos é irrelevante. Poucos de nós escolheram nossos clubes, eles foram simplesmente apresentados a nós; e, sendo assim, quando eles são rebaixados da Segunda Divisão para a Terceira, vendem os melhores jogadores, compram jogadores que você sabe que não podem jogar ou lançam um chuveirinho setecentas vezes na direção de um centroavante de três metros de altura, simplesmente praguejamos, vamos pra casa, ficamos agoniados por uma quinzena e depois voltamos para sofrer tudo isso de novo mais uma vez.” (Página 134)

“Como todo mundo, já lamentei em alto e bom som as deficiências do futebol inglês, e a feiúra permanentemente deprimente do futebol que a seleção nacional joga, mas na verdade, bem lá no fundo, isso é papo de botequim e mais nada. Reclamar de futebol chato é um pouco como reclamar do final triste de Rei Lear: é não entender o principal, de alguma forma. E foi isso que Alan Durban compreendeu: que o futebol é um universo alternativo, tão sério e estressante quanto o trabalho, com as mesmas preocupações, esperanças, decepções e euforias ocasionais. Vou ao futebol por um monte de razões, mas não vou para me divertir, e quando olho em torno num sábado e vejo alguns rostos tristes e apavorados, vejo que outros sentem a mesma coisa. Para o torcedor apaixonado, o futebol-espetáculo existe da mesma forma que aquelas árvores que tombam no meio da selva: você presume que é algo que acontece, mas não tem como apreciar a coisa. Os jornalistas esportivos e os técnicos de botequim são os índios da Amazônia que sabem muito mais do que nós sabemos – mas sob outro aspecto sabem muito, muito menos.” (Página 135)

"Pelo que sei, não existe outro clube inglês que tenha perdido duas finais numa semana, embora nos anos que se seguiram, quando perder uma final era o máximo que os torcedores do Arsenal ousavam almejar, eu viesse a me perguntar por que ficara tão abatido. Mas aquela semana também teve um efeito colateral beneficamente purgativo: após seis semanas seguidas de semifinais e finais, de escuta no rádio e procura por ingressos para Wembley, a confusão do futebol se fora e não havia nada com o que substituí-la. Finalmente tive de pensar no que ia fazer, em vez de no que o técnico do Arsenal ia fazer.” (Página 127)

“Há uma amargura básica na experiência de torcer por um time grande, e não há nada que você possa fazer a respeito afora conviver com isso e aceitar que o esporte profissional tem de ser amargo pra ter algum significado. Mas às vezes é bom tirar umas feriazinhas e imaginar como seria se todos os jogadores do Arsenal houvessem nascido nos distritos N4 ou N5 de Londres, tivessem outros empregos e só jogassem porque adoravam o jogo e o time pelo qual jogavam.” (Páginas 145 e 146)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Fios de esperança

Celso Juarez Roth de bigode (e reclamando como sempre, mesmo depois daquele golaço sem precedentes do Fabiano Cachaça no GRENAL da final do Gaúcho de 97) te deseja um ótimo final de semana.

Abraços e votem na enquete, coloquem o email ali na direita para receber as (cada vez mais) raras atualizações do Grenalzito e comentem nessa naba!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Acadêmicos do Sport Club Internacional, nota...

Avaliações da nossa esquadra rubra na noite de ontem, vitória de 3 a 0 sobre o Jorge Wilstermann, da Bolívia.

Lauro Cara Mijada - Muito pouco exigido. Duas defesas boas no primeiro tempo e uma saída errada do gol no segundo. Aquela "segurança" de sempre... 7,77

Nei Cobrador de Lateral - No começo do primeiro tempo passou como um foguete pela direita, dominou, olhou pra área e... cruzou em cima do zagueiro, cavando um valiosíssimo lateral! Aquela coisa de sempre... 7,06

Bolívar General - General ainda fora de embocadura. Primeiro jogo no ano, portanto dá para relevar. Foi muito bem nas subidas ao ataque e na saída de bola, sua principal qualidade. 7,94

Índio Panturrilha de Aço - A reserva moral do time. Toda vez que o adversário pega a bola no meio para armar um contra ataque e eu berro na frente da tevê "MATA ELE CARAJO", Índião está lá de foice em punho. Quase guardou um ontem na frente. Atrás, continua lento. Mas é mestre. 7,89

Kléber Cruza e corre pro Abraço - Finalmente a estreia do nosso lateral no ano. Até agora tava jogando pro gasto. Melhora muito quando tem os meias fazendo ultrapassagens pela esquerda. 8,43

Wilson The Amazing Mathias - Pior que jogou bem essa naba! Não tinha ninguém pra marcar, mas não comprometeu e pelo menos estava ligado no jogo. 7,09

Guiñazú o Extraterreno - É muito tri observar o seguinte: quando o outro time não tem meias adiantados pros volantes acompanharem, o Cholo sai PERSEGUINDO qualquer um em campo. Tá com o toque de bola em dia e marcando como sempre. 8,32

Oscar Golden Boy - O craque do cotejo, como diria Silvio "Color Cook" Lancelloti. O que mais encanta no piá é a capacidade de CHUTAR EM GOL, item raro nos futebolistas modernos. Joga fácil e de cabeça erguida. 9,11

D'Alessandro El Diez - Espetáculo ver o Cabezón voltar a comandar o ritmo do jogo. Esta talvez seja a principal função de um dez, e esta linhagem de meias está em extinção. Tabelou com Oscar e Kléber a noite toda, e ainda fez um golaço. 9,02

Zé (Buteco) Roberto - Nos livramos de um cone e teremos de aturar uma LONTRA no 11 titular. Em teoria é o meia mais avançado dos três, tendo que aprofundar o jogo pela direita. Não acertou um lance no primeiro tempo e fez um gol no segundo. 7,41

Leandro DamiNHão - Centroavante, com ênfase no DIVIDIR COM OS ZAGUEIROS. Tromba, bate, rola, salta, chuta, gira, volta, combate, erra e vai de novo. Toma cotovelada, dá carrinho, briga e xinga. E dá uma testada que é um TIRO. Vai longe. 8,27


sexta-feira, 25 de março de 2011

Pela culatra

Na vitória esquálida de 0 a 1 sobre o São José no Passo D'areia Sintética, o Inter atuou com uma equipe praticamente toda reserva. Porém no habitual esquema 4-5-1. Com esta formatação tática, estamos em primeiro na nossa chave da Libertadores (1 a 1 com Emelec, 4 a 0 no Jaguares e 1 a 4 lá em "Seu Jorge" Wilstermann). Mas toda vez que o time SE PERMITE atuar com dois atacantes de ofício, o jogo flui muito melhor.

Aí estava eu vendo o GRENAL de 97, 1 a 0 gol do Fabiano Cachaça. E notei que o time jogava num 4-4-2 clássico - dois volantes, dois meias, dois atacantes - e ADIVINHEM QUEM era o nosso técnico? Pô, era só ele relembrar seu passado e montar esse Inter de agora do mesmo jeito! Mas aí me dei conta de uma coisa... Reparem na imagem abaixo:


Apesar de ser 4-4-2, o maluco escalava o time com um volante na lateral direita e um zagueiro na esquerda, como um terceiro homem de zaga... Ou seja, com Celso Roth NUNCA o simples e o óbvio são o que parecem.

terça-feira, 15 de março de 2011

Leandros

Nos anos 90 Leandro Machado foi um achado (rima involuntária). Depois da morte prematura de Gérson, ficamos sem centroavante. E não ter um 9 confiável num time do Rio Grande do Sul é o equivalente a não ter um meia firulento nos times do Rio de Janeiro.

Baixa esses braço ô cururu ingrato do cara**o!

Neste momento não estou indo ao oráculo internético perguntar de que time veio Leandro Machado, mas minha memória de araque diz que ele começou em algum time catarinense (ou era base do Inter?). Inclusive suspeito que ele seja catarina e fale como carioca. Diferente de Damião, que é paulista, surgiu num time catarinense e é o mais novo "achado" da centroavância colorada - apesar de jogar bem há pelo menos um ano e meio.

Entre os dois Leandros dos parágrafos anteriores houve Leandrão. Acho que era carioca e também perigrinou por Santa Catarina. Mas desse Leandro não precisamos lembrar...

Que "saudade"...

Alecsandro foi nosso centroavante por um longo tempo. Um reinado de tirania com gols em cima da linha, números na coxa, posicionamento no segundo pau e atrás dos zagueiros, muita chiripa, firula e marra. Estes tempos estão no passado.

Leandro Damião é (adjetivos de cronistas dos anos 70) sagaz, movediço, espigado e TENAZ. Nesse começo espetacular de 2011 (tanto no gaúcho quanto na libertadores) tudo nele está potencializado. Talvez não seja um centroavante tão técnico quanto nestas últimas 6 apresentações, mas com certeza é veloz, brigador, FUÇADO (gíria do nordeste) dentro d'área e no embate com os zagueiros, além de ter os FUNDAMENTOS muito bem trabalhados. Chuta forte, cabeceia com técnica e tromba na área. Ou centroavantes precisam fazer mais alguma coisa? Se souberem fazer estas três coisas, nem caminhar ou escrever eles precisam saber.

Pois o destino de Leandro III será a europa. Tem estofo suficiente para meter gols no campeonato italiano, tipo de jogo que parece talhado para seu estilo. Mas acabará vendido para um Shaktar qualquer coisa. Mas não sem antes despachar Alecsandro para o México.

Damião no momento em que mostrará as jóias da família...

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sem frescuras

4-4-2 para ser campeão!


Lembram quando o futebol era assim? Não faz muito tempo, procure na memória. Uma época de poucas frescuras. Mas não veremos este time em campo. Uma pena.