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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ambiente democrático? II


Sou a favor do fato do Grêmio ter um novo estádio. Sou a favor do avanço, da melhor mobilidade, dos banheiros limpos, das lanchonetes limpas, até das cadeiras mais confortáveis (apesar de achar isso, as cadeiras, secundário). Acima de tudo, sou a favor da ideia de que um esporte como o futebol tem que ser acessível para todos. Por isso condeno os preços cobrados atualmente para se entrar em um estádio.

Quando um time escolhe alguém, como o Grêmio fez comigo, muitas coisas estão nessa influência, menos o quanto de dinheiro eu tinha ou vou ter um dia.

Você torce para um time porque seu pai, seu irmão, seu melhor amigo, seu tio, porque alguém te influenciou. Ou porque você achou aquelas cores bonitas. Ou porque aquele time ganhou tudo quando você estava tomando essa decisão. Talvez porque alguém te obrigou. Mas ninguém (nem mesmo você) perguntou algo do tipo: quanto você ganha?

Portanto, dinheiro é uma coisa secundária em futebol, à princípio. O que vale é a paixão, o sofrimento, a alegria, a dor, a angústia, o entusiasmo, o alívio. Sentimentos. É por isso que alguém torce para um clube. É por isso que um cara que ganha 500 reais por mês e um milionário podem torcer para o mesmo time. É por isso que um guri que nem mesada ganha pode viver a mesma emoção que um adulto atolado em dinheiro quando estão à beira de um gramado riscado.

E quando você tem um time do coração, depois de comemorar uma conquista de taça, ir ao estádio ver seu esquadrão jogar ao vivo é, provavelmente, a maior das emoções.

Só que os gestores do futebol moderno passaram por cima disso tudo. Eles estão selecionando, dizendo que só os torcedores ricos têm o direito de gozar desses prazeres. Só quem é rico pode ir a um jogo de futebol moderno. Os pobres devem se contentar com a memória (o que talvez seja mais emocionante – ironia mode on).

Outro dia tentei ir ao jogo do Grêmio. Era aquele Grêmio X Fluminense, jogo de volta da Taça Libertadores 2013, fase de grupos. O jogo era na quarta-feira e eu tentei comprar ingresso “apenas” na segunda, quando tive a confirmação de que poderia viajar para assistir ao match.

Os ingressos mais baratos custavam R$ 80 e já estavam esgotados. Havia uma segunda opção a R$ 90, que também se esgotaram antes de eu comprar. E a terceira opção estava a R$ 160. Para ir eu e minha mulher (poderia ser meu filho ou meu melhor amigo – nada melhor do que uma companhia pra dividir esses momentos históricos) custaria R$ 320 só de ingresso (e estamos falando aqui de compra com carteirinha de sócio DIAMANTE, que dá um desconto patético de 5%).

Ouvi dizer que o estacionamento nas voltas da Arena custa em torno de R$ 40. E, como moro a 450 quilômetros de POA, precisaria calçar mais uns 250 mangos de combustível. Calculando, a brincadeira sem água, refri ou pipoca, dormindo no carro, custaria 610 Reais imaginários.

610 paus para ver um jogo de bola de um time que ultimamente só me decepciona. É claro que eu não fui. Imagina o cara que vive de salário mínimo (678 Reais).

Antes que me avisem que a Arena terá uma área “popular” (Geral) a R$ 40, eu digo que ainda assim é caro. Esse espaço, em meio a uma torcida organizada, não pode ser seguro para crianças e mulheres. Organizadas são grupos mafiosos cujo principal objetivo é vencer brigas contra organizadas de outros times.

A R$ 80 Reais por jogo, ninguém que tenha um soldo inferior a R$ 3.500 pode ir a todos os jogos de seu time no mês (que são apenas quatro) sem comprometer o orçamento familiar, ou seja, alimentação, saúde, educação e bem-estar de sua família.

Comparo aqui com um esporte de elite, o motocross. Nos Estados Unidos, onde ele é mais difundido, onde ele tem uma aceitação muito boa e ainda assim é um esporte muito menor que o futebol na maioria dos países do mundo (e provavelmente no próprio EUA), o supercross (que é um motocross disputado dentro de estádios) vai para a final no próximo fim de semana.

Lá, o ingresso mais barato para a RODADA FINAL custa 50 dólares (cerca de 100 Reais) e o mais caro, na área VIP, custa 90 dólares (algo em torno de 180 Reais). Em 16 rodadas realizadas até aqui no campeonato, nenhuma teve menos de 35 mil pessoas nas arquibancadas. Algumas tiveram mais de 60 mil espectadores. Isso tudo disputado em estádios moderníssimos, como Georgia Dome, Lucas Oil Stadium, ou Metrodome – repare que são todos, inclusive, cobertos, com sistema de calefação para suportar as baixas temperaturas e modernos assentos, banheiros e todas as mordomias que o mundo elitizado exige. E você sabe que a relação de U$ 50 para quem ganha em dólares é diferente de R$ 50 para quem ganha em reais.

Essa elitização dos templos do futebol está errada. Isso é um absurdo. O futebol não escolhe salário, nem credo, nem cor, nem opção sexual. O cara que antigamente entrava no estádio para ver o jogo com um realzinho tem o direito de ir à Arena do Grêmio, ao novo Beira Rio, ao novo Palestra Itália. E o rico tem a total liberdade para pagar por seu camarote, por sua área VIP com uísque e o escambau. TODOS devem ter acesso aos jogos do seu time, até porque o grito de apoio do rico ou do pobre faz o mesmo barulho neste caso.

Os times deveriam se escorar nas cotas de TV, nos patrocínios, em outras fontes de renda, e não nos ingressos. A renda de ingresso deveria ser mixaria no orçamento de um clube. Deveria, no máximo, pagar as despesas do evento. Clube de futebol não tem que LUCRAR com ingresso. Isso tem que vir de outras áreas, para que o torcedor, qualquer torcedor, possa entrar na sua casa e sentir o cheiro da grama, escutar o som do chute, observar o jogador fora da jogada, ver o goleiro comemorando sozinho, ter a percepção das coisas que a imprensa NÃO mostra.

Saludos desde o mundo imaginário,

Para ver isso, neste lugar, custa R$ 100




domingo, 17 de fevereiro de 2013

Precisamos deixar a bundamolice de lado


Reclamar do gramado, para um time que pretende ganhar um campeonato de futebol, é para deixar a torcida com MUITO MEDO. Mostra deficiências que nenhuma equipe pode ter para ser campeã: a bundamolice, o chororô (abraço, Cuca!), o desculpismo.

Ou o (atual) Grêmio muda sua PERSONALIDADE, ou estaremos fadados a eliminação (bem) antes da final.

Reclamar é patético. Seja do juiz, do gramado, do estádio, da bola, da chuteira, da retranca, do desentrosamento. Time campeão NÃO reclama. Time campeão passa por cima dos problemas.

Em 83, o Grêmio jogou a final (e muitos jogos antes) em verdadeiros POTREROS. A grama do Olímpico na final contra o PEÑAROL (tetracampeão da América na época) era MARROM. Brotava terra e lama. Nem sequer o LUXO da areia existia.

Em 95, muitos vão lembrar, o Grêmio era GARFEADO pela arbitragem e mesmo assim ganhava. Em 1996, no bi-Brasileiro, a mesma coisa. Quando perdia, não tinha discurso BUNDAMOLE. Não havia reclamação. Quando era pra falar mal de algo, era achincalhando a calhordice de algum bundamole.

E agora, em 2013, o líder da casamata joga a responsa da derrota na grama da Arena, no estádio que não está pronto? Aonde ele acha que vai levar o Grêmio com esse discurso patético?

Ainda bem que futebol se ganha com jogadores e não com técnicos (abraço, Felipe!). E, apesar de termos uma meia-dúzia de bundas-mole no grupo (Werley, André Santos, Marcelo Grohe, Dida, Luxemburgo, Marco Antônio, Leandro, Léo Gago), tenho esperanças.

Minha esperança está em nomes como Barcos, Kléber, Zé Roberto, Elano, Vargas, gente que se importa com a derrota e jamais vai repetir (eu espero) discursos bundamoles.

Acredito que com o tempo (poucas semanas), Barcos será um líder positivo. Aposto minhas fichas nele e em Zé Roberto para ganhar essa Libertadores. Acho que podemos, se o Luxa não atrapalhar muito com seu bruxismo (e bundamolismo) exagerado.

Dalhe, Grêmio. Dalhe como em 83 e 95. Vamos suar sangre, carajo! Seja na grama, na areia, na terra, na Arena, no Olímpico, no Centenário, no Momumental de Nuñes, na Bombonera, Pacaembu, Morumbi, seja onde for, seja sob sol de 40 graus ou na neve dos Andes!

De baixo de chuva e com a canela sangrando barro, me despeço!

Aqui é Grêmio!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Um time nos moldes da Arena

Na semana em que o Grêmio contratou Welliton, Adriano, Barcos, André Santos e o ENRICO CABRITO, eu só tenho uma coisa a dizer: onde estão os zagueiros?

Tá todo mundo colocando Koff y sus hombres no pedestal. Mas, enquanto eu tiver que confiar em Werley, Saimon, Bressan e Grolli, me nego a elogiar a diretoria.

Barcos foi uma contratação SENSACIONAL, a melhor do ano. É melhor que a de Vargas porque Barcos vem com contrato de três anos, enquanto Vargas é o Paulo César Caju de outrora (com mais gana e chances de dar certo, entretanto).

André Santos NÃO supre a nossa deficiência na lateral-esquerda. É um jogador razoável no ataque e ruim na defesa. Cresceu nas barbas de Mano Menezes e seu empresário. Todos sabem, mas não admitem (na dúvida, perguntem pra esse cara aqui o que ele acha do André Santos).

Sobre Welliton, deixo que Felipe Conti, a parte vermelha e ausente desse blog, comente, mesmo que sem querer comentar:

"Lembro muito vagamente dele no Goiás - o que quer dizer que não lembro porra nenhuma. Vi vários jogos dele no Spartak Moscow, pois na época em que o Alex saiu do Inter para jogar lá, a Espn começou a transmitir o PUTINZÃO. No Spartak jogava como homem de referência. Apesar de não parecer ser tão alto, é forte, gira rápido e sabe se posicionar. Acho que no Brasil pode ser utilizado aberto pelos lados, mas sempre no ataque (nunca compondo meio e marcando lateral). Pela idade dele – 26 – pode dar muito certo, isso se a torcida esperar o cara jogar, se READAPTAR, essas porras.
Mas penso ser uma ótima contratação (mas não sei valor, tempo de contrato, etc). Em todo caso, sempre podemos ver a repetição do caso EDU (Betis) no Inter, lembra?"

O Grêmio está construindo um time igual a Arena. Nasce de um projeto grandioso, tem grandes nomes no comando, conta com garotos-propaganda de peso, de forte prestígio, mas falta um alambrado que aguente a pressão de uma avalanche, tão conhecida e experimentada em outros tempos/lugares quando o poder de um ataque argentino, colombiano, ou até mesmo brasileño.

Rezo para que Koff y Rui sejam mais espertos que Odone e Antonini e não esperem o alambrado ceder para depois sair atrás de nomes como Diego Lugano ou Sebástian Coates. E rezo para que Luxa tenha esses caras na mão e saiba administrar os egos, as manhas, as criancices, e as baladas.

Incomodaremos.

Arena Grêmio, um causo


Sou defensor do espaço pro povo em qualquer estádio de futebol. Por mim, a "coréia" (dê o nome que você preferir) jamais teria acabado. Quero um futebol do povo. Não quero o futebol elitizado, europeizado.

Acho caro pagar 40 conto por um ingresso de um jogo de futebol. Se o cara for toda semana, são 160 pila por mês. Pesa no orçamento de uma família-salário-mínimo.

Os bilhetes na Arena estão custando, no máximo, 160. Não é um absurdo se comparado com os preços que o Corinthians praticou na Libertadores passada. Mas, tenho certeza, conforme o Grêmio for avançando na Copa, os preços subirão.

O ingresso mais barato para ver o jogo contra o Huachipato custa os 40 pila que citei. O mesmo preço foi cobrado no jogo contra a LDU. E aí vem o motivo deste post.

Carlos Prill, de Porto Xavier-RS, contou e mandou fotos de como foi sua primeira experiência na Arena. Fiquei impressionado porque além do batido "cara, o estádio é espetacular!", ele falou de coisas interessantes.

"Ninguém deu bola pro acidente da avalanche. Durante o jogo, ninguém falou nada. No outro dia a imprensa sentou o cacete. Eu acho que isso é resíduo da tragédia de Santa Maria. De agora em diante vai ser assim, até virarmos europeus pra torcer, mas com salários africanos."

"Comprei o ingresso barato e já é pertinho. No anel inferior, deve ser junto. Se o cara tem pontaria, dá pra jogar o celular que acerta na pinha. E a iluminação é fora do comum. Se vê todos os detalhes."

"Paguei 40 no ingresso. Achei muito barato pela importância do jogo. Não sou sócio nem nada! Cheguei, fui na bilheteria. Apenas fui cedo."




"Outra vantagem: o cara compra um setor, mas pode sair passear pelo entorno e entrar nas outras cadeiras. Eu fiquei girando conforme me interessava. Quando deu pênaltis, a galera saiu na correria atrás da goleira, e eu fui no embalo. Muito 10."

"Quando tiveres oportunidade, vai que tu não vai se arrepender. Nada a ver com o lendário Olímpico."

* Fotos de Carlos Prill. Se clicar nelas, elas ficam maiores.