sábado, 27 de agosto de 2016

A Derrocada da Soberba Grenalzística

Por Fabin, el diez


Iniciar uma partida futebolística carregando no histórico uma implacável vitória de doze a zero na batalha de estreia, de certa forma, credenciou o elenco a calçar um scarpin salto 15 (abraço, Felipe) tendo a certeza de uma nova goleada arrasadora.  

Talvez, os deuses do futebol, aqueles mesmos que invadiram o gramado norte-americano e fizeram o Baresi e o Baggio entregarem a rapadura em noventa e quatro tenham entrado em quadra apregoando para nós, os soberbos, uma didática lição de moral.

A tragédia começava a ser anunciada no momento em que os astros do time, filhos do Berço da Revolução, se deslocavam à Capital. Vulgo Presidiário, possivelmente após ter conversado com todos os magos amigos do Bob Marley, na noite anterior, alegando asma, arregou solenemente do confronto. O Camisa 10 do time, que na verdade joga de nove, e é, também, o goleiro TITULAR do elenco, sentia que não era um bom presságio e, já se precavendo, abriu uma bude.


O Pré-jogo

O Conselho Omisso, apesar de não colaborar com o time dentro de quadra – muitas vezes, virando a casaca -, tem um ponto positivo: o extra campo. Como de costume, foi o primeiro a chegar, reservar a quadra, comprar a carne, a salada e todas aquelas coisas que somente os que apreciam e incentivam um bate-bola no final de semana se sujeitam a fazer.

Fernandão com trinta quilos a mais, o sempre crítico Anônimo e, até mesmo o Roger, já estavam fardados. Os representantes que vinham de fora do RS, entretanto, seguiam em irresponsável atraso. Poucos minutos para mais uma vitória épica e nada dos reforços medianos vindos de SC. Até que, lá ao fundo, aparecia o goleiro reserva, com sua simpatia WillianWackiana e o quase Guga Kuerten, Maurício, apareceram - ambos com suas cônjuges, justificando, mesmo que veladamente, ser a razão de seus atrasos.


O Adversário

Um fator preponderante para a soberba se enraizar nas entranhas dos atletas grenalzísticos foi o fato da média de idade dos adversários ser infinitamente mais alta – excetuando o Conselho Omisso, que equilibrava a balança. No popular, uma turma de véio simpático e, para melhorar, alguns gordinhos.

Oras, mais uma goleada.

Bastou a bola rolar para que, em menos de cinco minutos, o Grenalzito entrar na roda. Rodião mesmo. Gol atrás de gol o que foi desconcentrando o arqueiro reserva Felipe Cont, que começava a dar petí por estar perdendo.

“Ele não gosta de perder”, observava sua Cônjuge, nas arquibancadas improvisadas atrás da outra goleira.

Fabin, o dez do time, sabia que o elenco precisava dele, e aumentou as passadas largas. Em vão. Por assim foi durante sete minutos até que o coração, aquele que já não é mais o mesmo, sinalizou que estava prestes a bater biela. Sensato, se acocorou e até ver que não aguentava mais e saiu de campo.

Um senhor de meia idade, abandonou o seu copo de Boehmia e se aproximou do já não tão jovem talento: “Tá tudo bem, aí, magrão?” Ali, ele viu que o preparo não estava a contento.

Optou por dar uma “secadinha básica” no time para que todos sentissem a falta do dez. A Cônjuge do Mau, contudo, começou aos berros: “tira o dezzzz.... tira o dezzzzz!”

Mas Fabin, o salvador, já estava fora de campo. Na realidade, o “10 fajuto” era aqueles “amigo do amigo” que sempre entram em quadra achando que tem a bola do Maradona mas não passa de um Perdigão. Esse foi pra conta do Omisso.

“Aí, Fabin... vai lá pro gol pro Felipe poder fazer um gol... ele tá ficando brabo, já”, observava sua cônjuge.
Já meio chateado com o Fernando de Melenas, que o sabotava no ataque, Fabin foi pro gol. E passou a ver a partida de um ângulo diferente.

O Gonça, nitidamente se poupando para o jogo seguinte, se escondeu; o Fernandão, extasiado com os gritos de “Fernandão, Fernandão”, vindos da torcida - mesmo lesionado, queria resolver sozinho. Anônimo, o futebol elegante; Felipe Conti um esforçado produtivo; Roger não comprometeu e o Mau, que tinha fama de carniceiro (salve Elifoot) foi uma Lady em quadra. Resultado: tomamos um sacode.  


O Temível Assembleia

O fato de ter no ataque adversário um atacante de sessenta e sete anos era no mínimo, curioso. Como de costume, Fabin fechava o gol, recordando os velhos tempos. Com o time ajustado na defesa, os resultados melhoraram. Tanto que o único gol sofrido foi do Assembleia, o temível centroavante de sessenta e sete anos. Mérito da experiência.

Como o confronto não tinha juiz, o elenco aceitou a derrota. Com certa facilidade, até, o que pode-se levar a avaliação pejorativa de um time morno.


A Ditadura da Churrasqueira

Com o término da partida, o presidiário apresentou aquele sorriso sarcástico de canto de boca, insinuando “não deu, gurizada”.

Azar, agora era carne e cerveja.

O irmão do Anônimo, contrário a teses revolucionárias apartamentais do Felipe e do Presida, se adonou da churrasqueira: ditadura branca.

Com galhardia, se apoderou dos bens do adversário (tinha até Picanha) e serviu somente aos seus. Aos poucos, vencidos pela Ditadura da Churrasqueira, os vencedores foram embora. Derrotados. Por engano.


Os Deuses do Futebol

Mas, como falei acima, quiseram os deuses do futebol entrar em campo naquela tarde que ainda nos reservava muitas alegrias. Durante o almoço, confissões profissionais, relatos de prisões e outras asneiras plenamente esquecíveis. As cônjuges, que tiveram de assistir aquela humilhante derrota dos seus, ainda aturavam os papos etílicos e repetidos dos atletas. Merecedoras de aplausos. De pé.

O vespertino, entretanto, reservava um presente especial para a fã número 1 do Neuer, a cônjuge do Felipe Conti. A preliminar do Grenalzito Fest (que aconteceu depois, erroneamente), teve a disputa de pênaltis entre Itália e Alemanha.

Assim como em noventa e quatro, a Azurra arregou. Como o presida. Ou mesmo, o Grenalzito como um todo. Após 18 cobranças, os alemães levaram a vaga por seis a cinco.

Sábado histórico. De derrotas. De vitórias. Sábado de agendar o próximo confronto Grenalzístico. Com RothDog. A preço justo.

E da próxima vez, sem salto alto, para não magoar o “Boy” Felipe.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Bolão de Cristal: Só Termina Quando Acaba

A persistência é a característica que une bravos e idiotas. Dizem que Oscar Wilde nunca disse isso, mas eu não andava com ele cem por cento do tempo pra saber tudo que ele dizia, então vai saber...

Reafirmando a nossa incapacidade de prever os caminhos da bola e do mundo, contemplem os palpites derradeiros para o término do Campeonato Brasileiro de Futebol Profissional Masculino Série A 2016:

G4

Z4

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Bolão de Cristal: 1º Turno da Depressão

Partindo da premissa que no futebol o gol é um detalhe (RIP Parreira), vamos aos resultados do nosso Bolão de Cristal - First Turn Edition

A pontuação foi computada da seguinte maneira: acertou a posição correta da equipe, 10 pontos. Acertou que aquela equipe estaria no G4 ou Z4, 5 pontos. Torce para um clube que contratou o Celso Roth, eliminação automática

Segue a TABELA (confira os palpites aqui):

1º Guilherme "Asma" Bica - 45 pts.
2º Maurício "LGBTX" Haas - 40 pts. 
3º JefConti - 35 pts.
4º Anonymous - 35 pts.
5º Felipe "Fashion Week" - 35 pts.
6º Adalberto "Conselho Omisso" Gonçalves - 30 pts. 
7º Fabio "Carnavalesco/Jurado de Transex" Fabin - 25 pts. 

Papel e Caneta: isso ainda vai ser grande no Brasil

Rodadas atrasadas forçaram o STAFF do Grenalzito a calcular as posições pelo aproveitamento de cada equipe.
Futebol brasileiro: que morte horrível...

terça-feira, 26 de julho de 2016

2º Grenalzito Esporte Clube

O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes da vida. 

Se esta frase não foi proferida por Neném Prancha, deveria ter sido. Pela segunda vez os canallas (e leprosos) que povoavam a internet com suas teses mirabolantes e conceitos ultrapassados pela indústria do dinheiro e do volantismo reuniram-se na capital de quase todos os gaúchos para celebrar a vida. 

Ao contrário da primeira apresentação, esta ocorreu dentro da normalidade: tomamos um arrodião de deixar Celso Roth prestes a atender o telefone vermelho (ou azul, dependendo da gangorra). Nada que atrapalhasse a real intenção do final de semana - dar risada e reclamar que a bola é redonda demais. 

Agora alguns retratos para a posteridade: 

Ousadia y Alegria y Quadra Grande Demais

Organizando as linhas de quatro

O problema foi o aquecimento

Pelo menos o uniforme é bala!

Percebam a marcação pressão na saída de bola do adversário (Chora, Pep Roger)

Muita asma


Gigante

RothDog Omisso R$ 3,99 (com duas salsichas)

Churrasco da discórdia

Fumacêra

Boi na linha

#ImprensaMente #LucianinhodoGrenalzito #ConselhoOmisso

Estádio do Cometa > Beira-Rio

O Caminho do Gol (Douglas deve ter passado por aí...)

PhD em carvão

Vai com a camisa 5 que tu não paga ingresso! 

Torcida gremista maravilhada com o mar vermelho



quinta-feira, 19 de maio de 2016

Bolão de Cristal

Não sabemos nada de futebol, mas é sempre bom comprovar isso com fatos. 

Confira os palpites do Grenalzito FC para as 20 posições do Campeonato Brasileiro ao final do primeiro turno (daqui uns 15 meses): 

Clique e descubra quem sabe menos

"TÁ TUDO ERRADO"

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

1º Grenalzito Esporte Clube

Há 6 temporadas dois camaradas resolveram escrever sobre Grêmio e Inter no mesmo espaço. Por vários motivos, mas o principal era: já que é pra grenalizar tudo, que seja com bom humor e opiniões, sem ignorância. 

Muito tempo depois, conseguimos reunir algumas das pessoas que liam, escreviam e comentavam no blog para jogar bola, ver futebol, comer e beber, ou o que costumeiramente chamamos de VIVER.  

Aí estão alguns dos registros: 

Ousadia, Alegria, Barriga e Uniforme
Grenalzito da Paz!
Articulista Maurício Haas estava quase chegando para aparecer no retrato (mais 12 horas de voô e ele chegava)
Grenal da Paz ou da Maluquice? Só o futuro dirá
Anonymous...
Grenal 408 - 1 a 0 Inter, gol de Vitinho e consagração de Deuslessandro (ou seria Dalessanto?)
Torcida não tão mista
Elegância
Novas gerações
Intimidade
Pequenos jogadores, grandes talentos
A alegria de ser míope

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O coitado da vez

Nestas 297 temporadas em que o Inter não ganha o Brasileiro, muitas vezes ouvi a expressão "coitado desse cara". Referia-se a um jogador que estava carregando o time nas costas, se matando em campo muito mais do que seus colegas de equipe, e mesmo assim a torcida sabia que não seria campeão. 

A primeira vez que tive esse sentimento foi com Gamarra. Via aquele craque de bola correndo mais que todo mundo, aparecendo em todas as partes do campo, mesmo sendo zagueiro, e contudo sabia que ele não ergueria o troféu em dezembro. 

"Caralho, coitado do Gamarra, merecia ser campeão brasileiro". 

O coitado da vez chama-se D'Alessandro. O gringo talvez esteja realizando a melhor temporada desde que chegou ao Beira-Rio, melhor até que 2010, quando foi considerado pelo El Pais, do Uruguay, o melhor jogador da América. Nenhuma contusão, gols, assistências, liderança técnica e moral do time. Além de capitão e uma espécie de treinador dentro de campo. 

Ele, por tudo que já fez, e principalmente pelo que está fazendo, merecia ser campeão brasileiro. 

Merecia...

sábado, 24 de agosto de 2013

Copiadores y Plagiadores

De repente, em um agosto tranquilo de 2013, nos deparamos com esta capa da Revista Placar nas bancas.

O plágio do nosso banner de topo é evidente. Por isso, o grupo de advogados associados do Grenalzito já entrou em contato com a Editora Abril e pretende tirar de circulação todas as edições com esta capa.

Grenalzito, pautando a imprensa MAINSTREAM desde os primórdios até hoje em dia. 




terça-feira, 6 de agosto de 2013

Dupla

Nosso sétimo leitor mais legal de todos os tempos (é Campeão, Anônimo!) enviou este belo retrato com o ídolo colorado Fabiano Cachaça.



Notem que Fabio e Fabiano (dupla sertaneja dos anos 90) possuem a mesma altura e o mesmo porte de ex-atletas que se entregaram aos prazeres do álcool, das belas mulheres e das apresentações em power point.

Este é o segundo post em menos de dois meses sobre colorados tirando fotos com Fabiano.

#EstatísticasGrenalzíticas #Nostalgia90's

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Homenagens


Poderíamos ter parado na primeira homenagem. Mas como ainda temos um resto de senso de humor, aí vão todas as opções para o novo banner do Grenalzito.






segunda-feira, 1 de julho de 2013

Uh, Fabiano (Cachaça)


Esse da esquerda, o mais ROBUSTO, é meu pai, Erni Haas, o senhor aquele que prevê resultados cortando BANANEIRAS.

O da direita, de boca cheia, prestes a saborear o frango que está sendo retirado do freezer ali atrás, bem, ele vocês sabem quem é.

Fabiano Cachaça esteve em Itapiranga no fim de semana. Tomou uns tragos, desfilou por lá como ídolo. Contou que o Inter lhe paga GORJETAS para isso.

Como sou gremista e só estou escrevendo este post para provar que não sou doente e porque respeito meu pai, vou me limitar a estes quatro parágrafos. Se quiserem saber mais sobre Fabiano Cachaça pesquisem.

Adiós!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Vitória, Bahia, Criciúma e Portuguesa = 5 pontos

O Inter não vai ser campeão brasileiro de 2013. Quando dezembro chegar, serão inacreditáveis 34 temporadas sem o título máximo do Brasil. 

Se alguém dúvida disso, colorado, torcedor de outro time ou MARCIANO, basta analisar nosso início de competição. Além dos resultados patéticos contra times recém alavancados da segunda divisão, ou candidatos à ela para o próximo ano, as atuações dos comandados de Dunga mostram uma apatia digna de 10º colocado. Tirando o próprio Dunga e três ou quatro jogadores, os outros parecem contagiados com a modorra que permeia nosso comportamento nos últimos anos.

Pois agora conclamo o NOVO colorado a se indignar como nós, a VELHA GUARDA da torcida vermelha. Convoco-te, colorado feliz com o estupro do Beira-Rio, que adorou a mudança de Clube do Povo para Campeão de Tudo, que não se importou com a mudança em nosso SÍMBOLO, que aplaudiu o SUMIÇO do Saci como nosso mascote. Convido-te a exigir o título nacional da nossa direção!

Já que nossa alma está a venda, ou pior, vendida para camarotes, empreiteiras, política interna bizarra e dirigentes que "precisam" vender um jogador por ano para o exterior para manter a "saúde financeira" do clube (e não da família deles!), pelo menos exija uma contrapartida! 

Que tal montarem um time imbatível e terrivelmente caro, como um Manchester City dos Pampas, mas que nos faça sair dessa fila amarga e interminável?

Ou quem sabe contratarem a CONSULTORIA da direção do Lyon, heptacampeão SEGUIDO na França? 

Ou o exercício máximo de humildade: paguem uma babilônia de dinheiro para o MARCO AURÉLIO CUNHA, perguntem como eles fizeram pro São Paulo ser tricampeão seguido nos pontos corridos, e deem uns 3 anos para uma comissão técnica tentar ganhar APENAS o Brasileiro, e nenhuma outra taça.  

Nada disso acontecerá, e no fundo acho que enquanto formos tricampeões e o Grêmio bicampeão, ninguém ficará tão incomodado assim com essa BARREIRA EMOCIONAL que virou o Campeonato Brasileiro, ano após ano. 

Não deveríamos aceitar essa mesmice. Poderíamos pelo menos cobrar um planejamento, uma meta, uma nova diretriz para buscar o título, mesmo que seja algo para daqui 5 anos. Mas algo precisa ser feito, urgente e diferentemente. 

Trinta e quatro anos.... TRINTA-E-QUATRO!!!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ambiente democrático? II


Sou a favor do fato do Grêmio ter um novo estádio. Sou a favor do avanço, da melhor mobilidade, dos banheiros limpos, das lanchonetes limpas, até das cadeiras mais confortáveis (apesar de achar isso, as cadeiras, secundário). Acima de tudo, sou a favor da ideia de que um esporte como o futebol tem que ser acessível para todos. Por isso condeno os preços cobrados atualmente para se entrar em um estádio.

Quando um time escolhe alguém, como o Grêmio fez comigo, muitas coisas estão nessa influência, menos o quanto de dinheiro eu tinha ou vou ter um dia.

Você torce para um time porque seu pai, seu irmão, seu melhor amigo, seu tio, porque alguém te influenciou. Ou porque você achou aquelas cores bonitas. Ou porque aquele time ganhou tudo quando você estava tomando essa decisão. Talvez porque alguém te obrigou. Mas ninguém (nem mesmo você) perguntou algo do tipo: quanto você ganha?

Portanto, dinheiro é uma coisa secundária em futebol, à princípio. O que vale é a paixão, o sofrimento, a alegria, a dor, a angústia, o entusiasmo, o alívio. Sentimentos. É por isso que alguém torce para um clube. É por isso que um cara que ganha 500 reais por mês e um milionário podem torcer para o mesmo time. É por isso que um guri que nem mesada ganha pode viver a mesma emoção que um adulto atolado em dinheiro quando estão à beira de um gramado riscado.

E quando você tem um time do coração, depois de comemorar uma conquista de taça, ir ao estádio ver seu esquadrão jogar ao vivo é, provavelmente, a maior das emoções.

Só que os gestores do futebol moderno passaram por cima disso tudo. Eles estão selecionando, dizendo que só os torcedores ricos têm o direito de gozar desses prazeres. Só quem é rico pode ir a um jogo de futebol moderno. Os pobres devem se contentar com a memória (o que talvez seja mais emocionante – ironia mode on).

Outro dia tentei ir ao jogo do Grêmio. Era aquele Grêmio X Fluminense, jogo de volta da Taça Libertadores 2013, fase de grupos. O jogo era na quarta-feira e eu tentei comprar ingresso “apenas” na segunda, quando tive a confirmação de que poderia viajar para assistir ao match.

Os ingressos mais baratos custavam R$ 80 e já estavam esgotados. Havia uma segunda opção a R$ 90, que também se esgotaram antes de eu comprar. E a terceira opção estava a R$ 160. Para ir eu e minha mulher (poderia ser meu filho ou meu melhor amigo – nada melhor do que uma companhia pra dividir esses momentos históricos) custaria R$ 320 só de ingresso (e estamos falando aqui de compra com carteirinha de sócio DIAMANTE, que dá um desconto patético de 5%).

Ouvi dizer que o estacionamento nas voltas da Arena custa em torno de R$ 40. E, como moro a 450 quilômetros de POA, precisaria calçar mais uns 250 mangos de combustível. Calculando, a brincadeira sem água, refri ou pipoca, dormindo no carro, custaria 610 Reais imaginários.

610 paus para ver um jogo de bola de um time que ultimamente só me decepciona. É claro que eu não fui. Imagina o cara que vive de salário mínimo (678 Reais).

Antes que me avisem que a Arena terá uma área “popular” (Geral) a R$ 40, eu digo que ainda assim é caro. Esse espaço, em meio a uma torcida organizada, não pode ser seguro para crianças e mulheres. Organizadas são grupos mafiosos cujo principal objetivo é vencer brigas contra organizadas de outros times.

A R$ 80 Reais por jogo, ninguém que tenha um soldo inferior a R$ 3.500 pode ir a todos os jogos de seu time no mês (que são apenas quatro) sem comprometer o orçamento familiar, ou seja, alimentação, saúde, educação e bem-estar de sua família.

Comparo aqui com um esporte de elite, o motocross. Nos Estados Unidos, onde ele é mais difundido, onde ele tem uma aceitação muito boa e ainda assim é um esporte muito menor que o futebol na maioria dos países do mundo (e provavelmente no próprio EUA), o supercross (que é um motocross disputado dentro de estádios) vai para a final no próximo fim de semana.

Lá, o ingresso mais barato para a RODADA FINAL custa 50 dólares (cerca de 100 Reais) e o mais caro, na área VIP, custa 90 dólares (algo em torno de 180 Reais). Em 16 rodadas realizadas até aqui no campeonato, nenhuma teve menos de 35 mil pessoas nas arquibancadas. Algumas tiveram mais de 60 mil espectadores. Isso tudo disputado em estádios moderníssimos, como Georgia Dome, Lucas Oil Stadium, ou Metrodome – repare que são todos, inclusive, cobertos, com sistema de calefação para suportar as baixas temperaturas e modernos assentos, banheiros e todas as mordomias que o mundo elitizado exige. E você sabe que a relação de U$ 50 para quem ganha em dólares é diferente de R$ 50 para quem ganha em reais.

Essa elitização dos templos do futebol está errada. Isso é um absurdo. O futebol não escolhe salário, nem credo, nem cor, nem opção sexual. O cara que antigamente entrava no estádio para ver o jogo com um realzinho tem o direito de ir à Arena do Grêmio, ao novo Beira Rio, ao novo Palestra Itália. E o rico tem a total liberdade para pagar por seu camarote, por sua área VIP com uísque e o escambau. TODOS devem ter acesso aos jogos do seu time, até porque o grito de apoio do rico ou do pobre faz o mesmo barulho neste caso.

Os times deveriam se escorar nas cotas de TV, nos patrocínios, em outras fontes de renda, e não nos ingressos. A renda de ingresso deveria ser mixaria no orçamento de um clube. Deveria, no máximo, pagar as despesas do evento. Clube de futebol não tem que LUCRAR com ingresso. Isso tem que vir de outras áreas, para que o torcedor, qualquer torcedor, possa entrar na sua casa e sentir o cheiro da grama, escutar o som do chute, observar o jogador fora da jogada, ver o goleiro comemorando sozinho, ter a percepção das coisas que a imprensa NÃO mostra.

Saludos desde o mundo imaginário,

Para ver isso, neste lugar, custa R$ 100




quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ambiente democrático?

Uma das histórias mais engraçadas e bizarras (e hoje, didáticas) que presenciei no Beira-Rio com o meu pai foi na entrada do Portão 4, num Inter e Corinthians (ou Vasco) pelo Campeonato Brasileiro. 

Enquanto nos encaminhávamos para a catraca, um rapaz abordou meu pai, perguntando se não estava interessado em uma metade de um cigarro suspeito, por 50 centavos. O intuito dele era somar aqueles 50 centavos aos 50 centavos que ele já possuía, para adquirir o ingresso mais barato disponível à época, e poder torcer para o nosso time. 

A reação do meu pai foi largar um 'não' seco, me puxar pela mão e apertar ainda mais o passo. Lembro de, do alto dos meus 10 ou 11 anos de idade, ficar meio assustado com a situação, mas logo percebi que o homem não tinha nenhuma intenção de nos atacar, assaltar, ou algo parecido. Provavelmente era um trabalhador da rua, ou até um morador de rua, que tinha o mesmo objetivo que nós (assistir o clube de coração no estádio), mas não detinha dos mesmos recursos que nós. 

Antes de tratar esta história como "fábula de saudosista", vamos tentar projetar o futuro. 

De acordo com relatos das torcidas de Grêmio e Cruzeiro, dois clubes que estão mandando seus jogos em estádios super novos, modernos e com o "conceito de arena européia", os preços praticados pelos organizadores das partidas beira o absurdo. Os locais mais em conta chegam a custar R$ 80,00 com descontos para sócios, sócios-torcedores ou alguma outra nomenclatura que o marketing do clube invente. Isso em partidas normais, não em decisões, situações em que diretorias aproveitam para capitalizar em cima da paixão do torcedor. 

E qual será o futuro do novo Beira-Rio? Quem poderá ver os jogos do Inter? Quais serão os preços dos ingressos para a "torcida comum", ou "não-sócios", como gostam de chamar os marqueteiros e dirigentes dos clubes? Estes ingressos existirão, ao menos?

São perguntas que ninguém faz. Respostas que ninguém quer dar. 

Éramos o Clube do Povo, com ingressos para TODAS as classes sociais - desde a Coréia até as Cadeiras Cobertas. Hoje somos o clube dos camarotes vip e dos skyboxes, seja lá o que isso signifique.

E no futuro, a torcida, os "não-sócios", serão todos como aquele homem que pediu uma moeda pro meu pai para tentar entrar no estádio. Excluídos de sua paixão por um bizarro e dilapidante "progresso econômico".

Nunca mais um local de festa popular.
Ao menos a memória ainda não podem nos arrancar!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Lembra quando...? III

ão, ão, ão, Leandro é seleção!

Lembra quando o Felipão, técnico da seleção brasileira pela segunda vez na vida, convocou o LEANDRO, um atacante perdedor de gols, firulento e RUIM que a torcida gremista odiava tanto que festejou o dia que ele foi para o Palmeiras?

Dia DOIS de abril de 2013.

Até tu, Big Phil?

Pfffffff...

quinta-feira, 28 de março de 2013

Lembra quando...? II


Lembra quando o Luxemburgo era a ANTÍTESE do que era ser gremista?

Pois é...


Para entender melhor, veja a partir de 2:17

sexta-feira, 22 de março de 2013

Lembra quando...?

Motivado por este banner novo do Grenalzito, esta aula de semiótica, simbolismo gráfico e incoerência ideológica, resolvi lançar a série "Lembra quando...?"

Fácil imaginar, daqui alguns anos, torcedores da Dupla comentando: "lembra quando o Inter contratou o Gabriel, aquele lateral come e dorme, bruxo do Renato, que tava encostado no Grêmio?" ou então "lembra quando o Grêmio contratou o Sorondo, aquele zagueiro de vidro do Inter que não jogava cinco jogados seguidos havia anos, apresentou o cara e nos primeiros treinos ele explodiu o joelho e nem chegou a fardar num jogo oficial?". 

Explicada a parada, vamos ao primeiro "Lembra quando...?":

- Lembra quando o Zagallo convocou o César Prates, lateral mais do que meia boca do Inter, em 96, e alguns dias depois ele foi contratado pelo Real Madrid B?

Lembrança inspirada nesta notícia aqui

Seleção? RÁ!