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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Finalmente URUGUAI


O Uruguai está numa semifinal de Copa do Mundo depois de 40 longos anos. Quando Asamoah Gyan mandou aquele balaço no travessão de Muslera, aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação, comemorei como se gol do Inter fosse.

Domingo o Inter venceu o Peñarol (outro gigante do futebol que um dia voltará aos holofotes) nas penalidades, num amistoso no país vizinho. E na sexta-feira passada, o mundo voltou a ver o Viejo Uruguay.

Estas linhas que seguem foram publicadas no Tisserand na cabalística data de 11 de Setembro (de 2009). E hoje fazem muito sentido.


De Artigas a Enzo
setembro 11, 2009 por - Tisserand Futebol Clube -

O estádio Centenário, construído de forma hercúlea nos idos da década de 20 para abrigar a primeira Copa do Mundo – 1930 –, receberá uma partida digna do tamanho de sua história. Ainda que em circunstâncias melancólicas.

Uruguai e Argentina decidirão uma vaga direta (ou “repescada”) para o Mundial de 2010. Para tanto, os discípulos d’El Diez necessitam da vitória diante do combalido Peru (perdão pelo involuntário trocadilho) e os comandados de Oscar Tabárez precisam de pelo menos um empate com o Equador, nas nuvens de Quito.

Com esta combinação de resultados (ou algumas outras, levando em conta que nada menos que SEIS seleções disputam TRÊS vagas nas duas últimas rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas) o embate do dia 14 de outubro em Montevideo será épico. Não como a final dos Jogos Olímpicos de 1928, na Holanda, ou na própria final do Mundial de 1930, ocasiões em que o Uruguai maravilhou o mundo com seu futebol assombroso para aqueles tempos amadores. E de quebra venceu a rival Argentina. Mas ainda assim este confronto no próximo outubro será épico em sua (dupla) decadência.

Quarta-feira o cimento do Centenário ameaçou ruir, mais uma vez, quando o palmeirense Pablo Armero cruzou da esquerda e o dublê de arqueiro, o botafoguense Castillo, saltou algo entre 2 e 5 centímetros para interceptar um cruzamento. 1 a 1 no placar, Colômbia muito melhor em campo, platenses com um jogador a menos. Era possível sentir a desesperança de um povo pela tela da televisão.

Os 3 a 1 acabaram saindo tão suavemente quanto uma prisão de ventre de sete dias e noites suarentas ao trono. Muito em função da historicamente irresponsável Colômbia, que também ficou com um homem a menos em campo, do que pela qualidade técnica dos colegas do Diego Forlán.

O que fica claro para quem é amante do esporte bretão é que um dia, ninguém imagina quando ou como, o Uruguai voltará a ter uma seleção forte (não apenas no aspecto físico) e campeã. O último esquadrão Charrúa que ergueu uma taça foi o time de Francéscoli e Bengoechea, que bateu o Brasil na final da Copa América de 1995, no Centenário e nos pênaltis. Querer que a Celeste volte aos tempos de glória é uma espécie de desejo romântico de quem já chutou uma bola.

Apesar dos sabidos desmandos na administração das “coisas do futebol” no país vizinho ao Rio Grande do Sul, a justiça está sendo aplicada muito severa e longamente com o pessoal da Banda Oriental. O Inter é um bom exemplo do que tento dizer: teve suas glórias em décadas longínquas, passou por longos anos de inverno espesso, com uma torcida que aprendeu a carregar uma tristeza inerente ao uniforme rubro. Dilapidaram o clube e o nome da instituição, até que um dia a grandeza histórica do gigante ferido veio à tona (culminando em dezembro de 2006).

Isso acontecerá para a Celeste Olímpica, e o povo com ar derrotado daquele pequeno e brioso pedaço do Pampa poderá sentir o que seus antepassados sentiram. Assim como o Botafogo um dia voltará a ser Botafogo.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Inter e Tottenham

Pra início de conversa peço desculpas aos poucos, porém fiéis, leitores aqui do estabelecimento bloguístico. Esta semana o trampo foi pra matar e o TCC segue assombrado geral. Inclusive o sócio Maurício fez uma ponderada análise sobre o empate do Inter na Vila Belmiro!
Agradeço a compreensão e prometo uma "crônica" para a volta do Capitão Planeta ao Gigante, desta vez do lado oposto ao vermelho.

Seja o que Falcão quiser...

-x-

Como a maioria deve ter visto, Internacional e Tottenham Hotspur firmaram uma parceria. Podem conferir nesse link ou neste outro

Por acaso (e pior que foi mesmo!) escrevi um texto sobre o time de Londres no Tisserand FC, em função do belo começo de Premier League dos Spurs.

Reproduzo o material aqui no Grenalzito (após as estatísticas atualizadas no Brasileirinhas), até "A NÍVEL DE" informação sobre este clube histórico porém pouco conhecido no Brasil.

E se comprarem o Sandro por 15 milhões de Libras e mandarem o croata Luka Modrić no negócio, aceitamos de bom grado!

Estatísticas Coloradas no Brasileiro:
20 jogos (36 gols pró / 27 Contra)

10 Vitórias (Corinthians 0 x 1 Inter; Inter 2 x 0 Palmeiras; Goiás 0 x 1 Inter; Inter 2 x 1 Avaí; Inter 3 x 0 Coritiba; Náutico 0 x 2 Inter; Inter 4 x 2 Fluminense; Inter 3 x 2 Barueri; Inter 3 x 0 Sport; Santo André 0 x 2 Inter);

4 Empates (Cruzeiro 1 x 1 Inter; Inter 0 x 0 Vitória, Inter 2 x 2 São Paulo; Santos 3 x 3 Inter);

6 Derrotas (Flamengo 4 x 0 Inter; Atlético-PR 3 x 2 Inter; Grêmio 2 x 1 Inter; Botafogo 3 x 2 Inter; Inter 1 x 2 Corinthians; Palmeiras 2 x 1 Inter).

Gols:
Alecsandro – 10
Nilmar – 5
Taison – 4
Bolaños – 3
Andrezinho – 3
Giuliano – 2
Sorondo – 2
D’alessandro – 2
Danny Morais – 1
Talles Cunha – 1
Magrão – 1
Leandrão – 1
Sandro – 1

Assistências:
Andrezinho – 6
Kléber – 5
Giuliano – 4
Taison – 2
Alecsandro – 2
D’alessandro – 1
Marcelo Cordeiro – 1
Magrão – 1
Guiñazú – 1

Uma das surpresas deste embrião de temporada no Idoso Continente atende pelo apelido de “Spurs”. Como o assunto aqui no Tisser não é o esporte da bola laranja, os Spurs de San Antonio ficam para outro momento.

O norte – londrino Tottenham Hotspur tem este apelido em função do seu mascote, um galo. Portanto, os “esporas”! O que esta informação agrega ao leitor? Pois é…

O tradicional clube, fundado em 1884 por enfurecidos jogadores de cricket, ganhou espaço na mídia nos últimos dias pela incrível arrancada na Premier League. Três partidas, três vitórias. A última vez que o Tottenham arrancou tão bem no campeonato inglês sagrou-se campeão. E isto ocorreu na longínqua temporada 60/61. Deste trio de resultados positivos, dois chamam atenção: o triunfo de virada por 2 a 1, contra o West Ham fora de casa, e a estréia, em casa (o histórico White Hart Lane), contra o gigante e candidato ao título Liverpool. 2 a 1 com direito a golaço do lateral esquerdo francês Benoit Assou –Ekotto.

Além da bela arrancada, o time inglês ultimamente está constantemente no noticiário esportivo gaudério. Sandro, volante classudo de 20 anos e forjado na base da Padre Cacique, despertou o interesse dos sóbrios dirigentes britânicos. 15 milhas (em euros) é a suposta proposta. COICIDENTEMENTE o Anão-Em-Chefe da Seleção Brasileirinha chamou o guri para substituir o contundido, insípido e inodoro Josué nos próximos jogos das eliminatórias.

Enfim. O interesse do Tottenham é pertinente, já que do meio e adiante seu elenco já é muito qualificado. Falta a tal da CONSISTÊNCIA DEFENSIVA, coisa que está para o futebol gaúcho como a velocidade está para o futebol africano.

A lista de atacantes bons (ou de nome) dos Spurs impressiona. Jermaine Defoe é o 9 titular. Rápido, oportunista, forte e matreiro, o avante nunca se firmou na seleção ou em times maiores em função de seguidas lesões (ou das loucuras dos Coach’s). Com Capello está tendo chances no English Team e correspondendo. Um dos problemas do rapaz é que parece ser meio introvertido demais. Nesse futebol marqueteiro, atacantes inferiores mas com potencial de mídia acabam se destacando.

Seu camarada no ataque é o irmão menos talentoso da família irlandesa dos Keane. Robbie Keane vagou por uma longa e tenebrosa estrada na terra dos Beatles, não vingou e voltou para Londres, onde é capitão, dono das camisas, da bola e responsável pelo horário semanal na quadra.

Não contentes com esta dupla titular de respeito, na suplência estão dois jogadores que tem gravado em seu registro profissional a inscrição CENTROAVANTE. O meio alienígena / meio vara de pescar Peter Crouch (saiu do decadente Portsmouth e também faz parte do grupo de Fábio Capello na seleção), e o tanque da seleção russa Roman Pavlyuchenko (melhor nome de jogador do futebol atual). Depois da saída conturbada do ex-ídolo búlgaro Dimitar Berbatov do time, para o Manchester United, os caras resolveram investir pesado no ataque! Tanto que contrataram a jovem revelação mexicana do Barcelona, Giovani dos Santos por 6 milhões de euros. Adaptação e comportamento complicados levaram o piá ao modesto Ipswich Town, por empréstimo. Nesta temporada pode ser uma arma para mudar jogos encardidos.

Municiando estes malucos com sangue nos olhos para fazer gols, estão dois dos melhores meias ofensivos da Liga Inglesa. Pela direita, uma das esperanças dos súditos da rainha para conquistar o bicampeonato mundial (ao lado de Theo Walcott e Wayne Ronney, pra citar os mais jovens), Aaron Lennon, 22 anos. Já pela esquerda, um jogador quase perfeito. O croata Luka Modrić, 24 anos, revelado pelo Dínamo Zagreb, tem a habilidade dos jogadores do leste europeu (como bom ex-Iugoslavo, considerados os brasileiros da Europa), senso de marcação, jogadas verticais e diagonais, além de um potente chute de média distância e lançamentos precisos. Típico caso de jogador sem mídia, mas com mais bola que muitos medalhões por aí. Como era o Bielo-Russo Hleb no Arsenal, hoje no Stuttgart. Quando transferiu-se pro Barcelona, era necessário imposição de personalidade. Aí a coisa complica. Modrić é titular e um dos principais jogadores da seleção da camiseta toalha de mesa. Completando o meio os volantes Boateng e Palacios. Sandro jogaria na vaga do Boateng fácil, alçando o Tottenham à candidato sério para a Champions League da próxima temporada.

Ps.: O goleiro titular dos Spurs é o brasileiro (Cruzeiro, PSV, Seleção) Gomes, alternando atuações monumentais e frangos vergonhosos. Carlo Cudicini, goleiro italiano que estava no banco do Chelsea será a sombra do arqueiro verde e amarelo nesta temporada. Reparem na foto como o uniforme é parecido com o do Victor, do Grêmio. “Bonito” como toda linha de uniformes que a Puma desenvolveu, com aquelas “asas” diagonais.