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terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Time que Nunca Perdeu

1979 Eterno

Desde que adquiri este livro estou para escrever sobre ele aqui. Já o li duas vezes. Mas o lance é que ficaria apenas tecendo elogios sobre a obra.

Recomendo inclusive para gremistas não-"islâmicos", já que traz histórias muito legais sobre como um ajuntamento de caras diferentes transforma-se num time. Aliás, item importante: Um time só consegue chegar ao patamar de imbatível, quando conhece a derrota. No ano de 79 o Inter foi o TERCEIRO colocado no gauchão. E partiria para um feito ainda hoje inédito em dezembro daquele mesmo ano. 

Outro fato marcante é notar o sentimento "rugbyniano" daquele grupo. A maioria trata Paulo Roberto Falcão como um verdadeiro capitão, um líder. Enfim, um livro com histórias, documentos, números e depoimentos para quem é apaixonado por esporte e por futebol.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O que é ser ídolo?


Programa Bola da Vez (com Paulo Roberto Falcão), da ESPN Brasil. Completo. Assistam.

"Antes de ser jogador eu era torcedor. Eu tinha meus 7, 8 anos, meu pai me levava no campo do Internacional. (...) Eu tinha o discernimento de saber o que é ser ídolo (por ter idolotrado os grandes jogadores do Inter).

"...Estes torcedores (falando sobre torcedores que viajam para acompanhar o clube), tu não pode não respeitar estes caras. Tem que MORDER O GARRÃO. Tem que olhar pra eles (torcedores) e fazer aquilo que eu tenho certeza que eles, se tivessem aqui (no gramado), fariam."


segunda-feira, 18 de julho de 2011

A grande chance

Na edição mais recente da Revista Placar há uma matéria sobre Pep Guardiola. O texto excelente e recheado de informações curiosas trata de tudo que Josep Guardiola i Sala representa para o Barcelona. E para o povo basco.

Li, fiz anotações, reli. Escreveria aqui no blog sobre como o Grêmio perdeu a chance de criar algo verdadeiramente seu ao mandar Renato Portaluppi embora.

Pois veja: Guardiola é nascido em Santpedor, pequeno povoado basco. Trás consigo, encrustrada no DNA, a chancela blaugrana. Ingressou nas canteiras barcelonistas com 13 invernos nas paletas. E por uma CONFLUÊNCIA DOS ASTROS, foi alçado aos profissionais por ninguém menos que Hendrik Johannes Cruijff. O tal de "Cróifi".

Este holandês narigudo que fuzilou Luís Pereira, Zagallo e Leão em 74, moldou o estilo de jogo catalão na década de 70. Moldou não, CRIOU um jeito de jogar próprio do time azul e grená. E no início dos anos 90, treinou o Barça que ficou conhecido como Dream Team. Pep estava lá.

Campeão da Champions em 92, foi por muitos anos o capitão e cérebro da equipe. Segundo Cruyff, sem sua inteligência não teria nem chegado ao profissional. Segundo seus colegals de time (Rivaldo incluso), já era técnico desde os tempos de jogador.

Hoje Guardiola é o entrenador de los culés há três anos. Empilha títulos. Mas acima disso, engendrou um time monumental. Uma equipe que joga como o Barça de Cruyff nos anos 70, do próprio Pep nos anos 90 - e que já encontra em Xavi um sucessor natural. Uma filosofia de futebol. Apostar na base, toque de bola, três atacantes. Mas muito além do formulismo barato, entender o que representa ser catalão. Mesmo que tu sejas nascido em Rosário.

Depois disso eu diria que o Grêmio tinha em Renato a história, o estilo, a característica do "ser gremista". Ou pelo menos eu entendia que sim. E que ao mandá-lo embora, também estava se desfazendo de uma possibilidade de grandeza. E pior, a possibilidade de ser grande em confluência com a história FILOSÓFICA do clube.

E hoje, dia 18 de julho de 2011, o Sport Club Internacional faz exatamente a mesma coisa ao demitir Paulo Roberto Falcão, o maior jogador a trajar rubro e branco na história.

Jogaram a chance de ser Inter, na plenitude do que significa ser Inter, pela janela.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Aprenda com o mestre

Está nas notícias ali do lado. Uma declaração bala, de um cara muito acima da média.

(Falando sobre a demissão de Renato Portaluppi) “Espero que um dia isso mude, pois não podemos viver só de resultados. Sempre lamento a saída de um técnico. No caso do Renato, então, muito mais, pois é meu amigo. Tivemos Gre-Nais difíceis justamente por méritos dele. Quero mandar um abraço para ele em solidariedade. Eu ia ligar antes do jogo, mas o telefone não entrou. Acho que ele não perde em absolutamente nada da sua condição de maior ídolo da história do Grêmio. Pelo contrário, isso tem que ser valorizado sempre. E também acho que ele fez um belíssimo trabalho.” Paulo Roberto Falcão.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Inter acerta ao contratar Falcão


Um pouco do que eu ia DEDILHAR nos teclados, o editor-chefe do Grenalzito já fez no post mais abaixo. Ter um ídolo por perto, perto mesmo, influenciando diretamente no mais importante, o time, é muito foda. É muito bão.

Até começar a perder jogos, claro.

Mas o que tenho pra escrever é o que justifica o título. O Inter acerta ao contratar o Falcão. Não só pela euforia e pelo pacto que se cria entre torcida e time, o que sempre é gás, pólvora para empurrar a squadra na cancha, mas porque Falcão sabe muito deste troço chamado CALCIO.

E pra derrubar os desentendidos, como Sócrates, que disse que não era um acerto porque o Falcão não é treinador há muito tempo, e que no tempo que foi não deu certo, lembro que em 16 anos as pessoas mudam e, um quéra como o Falcão, geralmente muda pra melhor.

Depois de deixar todo meu orgulho gremista de lado, apincho a modéstia na lata do lixo pra lembrar que tive uma aula com o agora técnico do Inter. Foi nos idos de 2009, e lembro que ele falou que tinha muita vontade de voltar a ser treinador.

“Em tudo que trabalhei até hoje, tive relativo sucesso. Fui bem como jogador, montei uma grife que fez sucesso, e hoje me dou bem como comentarista. Como treinador, não fui tão bem, mas sei que posso fazer isso bem”, foi uma das primeiras frases cuspidas por ele naquela noite.

Aí contou que o pai era caminhoneiro, a mãe costureira, que pegava dois ônibus com 11 anos pra ir treinar no Inter, que levava pão com nata pra comer no RECREIO, e que jogava na várzea de Niterói, em Canoas, na região metropol de POA.

Também lembrou que queria muito atuar pelo no Nóia, e estudar psicologia na facul. Jogava na meia esquerda. E quando se deu conta estava jogando as Olimpíadas de 72 pela Seleção Brasileira. O resto da história é bem batida. Vocês sabem de cor e salteado.

Importante mesmo são as ideias de futebol que Falcão revelou, o que mostra que, com o elenco que o Inter tem, o time só não vai jogar bem se os boleiros não entenderem o que o patrão vai falar. Suas referências de time são a Holanda de Rinus Michels e o Inter e o Grêmio de Ênio Andrade, principalmente porque eram equipes que ganhavam, e ganhavam bonito, e entraram pra história não só por empilhar DOIS pontos sobre DOIS pontos (corrigido às 13h26 de quarta-feira, 13 de abril de 2011), mas por mostrar pra todo mundo como se joga bola de verdade.

Falcão gosta de times que jogam com duas linhas de 4, e 2 atacantes, para alegria de vocês e desespero do Roth. Vai treinar seu time com as linhas jogando próximas, com cerca de 15 metros de distância uma da outra, compacto.

Quer que seu time se imponha. “Futebol é imposição”, disse. Quer o Guiñazu chutando a gol, jogando igual ao Lampard, ou ao Gerard.

Por fim, minhas anotações revelam as seguintes palavras:

+ Economia – Empreendimentos, opinião
+ Agricultura – regional
+ Futebol – minha coluna

Fiquem a vontade e me ajudem a descobrir o que eu quis lembrar um dia com isso.

No mais, não me lembro e não anotei mais nada.

Ainda há emoção

Este blog, inconscientemente, é um micro libelo contra a ignorância no futebol. Ora, um colorado e um gremista escrevendo juntos, onde já se viu!

Há outros espaços (muito) melhores e maiores com propostas parecidas, mas este especificamente me fez ver o futebol de outras maneiras.

Escrever aqui é saber que "o outro lado" também pode estar lendo. E no fundo também é não dar a menor bola pra isso!

Quando o Grêmio anunciou Renato como treinador, pensei racionalmente nos prós e contras. Entendia aquilo como uma "jogada" da direção para criar um "pacto" com a torcida. Nunca achei Portaluppi um grande treinador, com ideias de futebol que me agradem. Portanto considerei uma contratação "mediana".


Pois com o anúncio do Inter de contratar Paulo Roberto Falcão, o 5 ideal e eterno, como treinador, tive de repensar meu posicionamento. A torcida gremista tinha total razão em ficar explodindo de alegria com a contratação de Renato. E eu só analisei "friamente" porque, claro, sou colorado. As duas ações podem ter sido realmente pensadas pelos dirigentes como "jogar para a torcida". Mas como diria o sábio, "e daí"?

Um clube de futebol não vive de receita, cotas, vendas, compras... inclusive (e aqui muitos ainda não entendem) um clube não vive de títulos, glórias e conquistas.

Um clube vive de história.

E o sentimento proporcionado pela frase "Falcão de volta ao Internacional" nos colorados (o mesmo sentimento que os gremistas experimentaram no ano passado) nada mais é do que a certeza de que ainda há espaço para a história do futebol dentro da modernidade.

Grande Falcão. Grande Inter. Que alegria!



Fotos: Site do Inter (Alexandre Lops)